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KYC em apostas online: o que a legislação exige e o mercado ainda ignora

O mercado de iGaming no Brasil se destaca pela rapidez de seu crescimento e pelos desafios que surgem com a regulação e o comportamento dos apostadores.

Quem atua com Prevenção à Lavagem de Dinheiro (PLD), Financiamento do Terrorismo e Compliance já está familiarizado com o conceito de KYC (Know Your Customer ou “Conheça Seu Cliente”).

Mais do que uma exigência regulatória, o KYC é um dos principais mecanismos de proteção para operadores de apostas, permitindo identificar usuários, prevenir fraudes, combater a lavagem de dinheiro e garantir a conformidade com a legislação brasileira.

Apesar disso, ainda é possível encontrar plataformas que flexibilizam ou postergam etapas importantes de validação de identidade, assumindo riscos que poderiam ser evitados com processos adequados de verificação.

Mas afinal, o que a legislação determina sobre KYC em apostas esportivas? E quais os riscos de permitir depósitos e movimentações sem validar corretamente a identidade dos usuários?

O que a legislação brasileira determina sobre KYC em apostas?

A regulamentação das apostas de quota fixa estabeleceu requisitos claros relacionados à identificação dos apostadores.

A Lei nº 14.790/23 determina que os operadores adotem procedimentos capazes de verificar a identidade dos usuários por meio de tecnologias de validação e reconhecimento facial.

Lei nº 14.790/23

Artigo 23

“O agente operador de apostas deve adotar procedimentos de identificação capazes de verificar a validade da identidade dos apostadores, exigindo o uso da tecnologia de identificação e reconhecimento facial.”

Além disso, o §1º reforça que os procedimentos devem contemplar a obtenção, verificação e validação das informações do usuário, incluindo consultas a bases públicas e privadas quando necessário.

Já a Portaria SPA/MF nº 1.143/24 estabelece critérios operacionais para os processos de cadastro.

Portaria SPA/MF nº 1.143/24

Artigo 15

“Os agentes operadores devem implementar processos que permitam verificar e validar a identidade dos apostadores ou usuários no momento do cadastro.”

A norma deixa claro que a validação da identidade deve ocorrer já na etapa inicial da jornada do usuário, sem prejuízo de verificações adicionais em momentos posteriores.

O problema de adiar o KYC para depois do cadastro

Ao analisar diferentes plataformas do mercado, é possível observar situações em que usuários conseguem concluir o cadastro e até realizar depósitos sem passar por processos completos de validação de identidade.

Em alguns casos, a plataforma permite que o usuário avance por etapas importantes do fluxo utilizando opções como “continuar sem verificar”, deixando a validação para um momento futuro.

Essa prática gera uma questão importante: se o operador já está recebendo recursos financeiros, por que ainda não verificou quem está do outro lado da operação?

Quando depósitos são aceitos antes da validação da identidade, aumentam significativamente os riscos relacionados a:

  • Utilização de identidades falsas;
  • Uso de documentos adulterados;
  • Contas criadas em nome de terceiros;
  • Fraudes com laranjas;
  • Lavagem de dinheiro;
  • Tentativas de burlar controles regulatórios;
  • Acesso de menores de idade.

Além dos riscos operacionais, a ausência de controles adequados pode gerar questionamentos regulatórios e potenciais sanções por parte dos órgãos responsáveis pela supervisão do setor.

Por que um processo robusto de KYC é tão importante?

A implementação de um KYC eficiente vai muito além do cumprimento da legislação.

Trata-se de uma estratégia essencial para proteger a operação, os usuários e a integridade do mercado regulado.

Prevenção de fraudes

A validação de identidade permite identificar tentativas de cadastro utilizando documentos falsos, informações roubadas ou contas criadas em nome de terceiros.

Quanto mais cedo a fraude for identificada, menor será o impacto para a operação.

Combate à lavagem de dinheiro

O setor de apostas pode ser utilizado indevidamente para ocultação ou movimentação de recursos de origem ilícita.

Um processo robusto de KYC ajuda a identificar comportamentos suspeitos e fortalece os mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro (PLD).

Proteção de menores de idade

A validação documental e a biometria facial contribuem para impedir o acesso de menores às plataformas de apostas, atendendo às exigências regulatórias e reforçando a responsabilidade social dos operadores.

Segurança nas transações financeiras

Ao confirmar a identidade do usuário, o operador reduz riscos relacionados a depósitos, saques e movimentações financeiras realizadas por terceiros não autorizados.

Conformidade regulatória

A Lei nº 14.790/23 e a Portaria SPA/MF nº 1.143/24 estabeleceram obrigações claras para os operadores.

Ignorar ou flexibilizar processos de identificação pode expor a empresa a penalidades regulatórias e comprometer sua operação no longo prazo.

Melhor experiência para usuários legítimos

Embora muitos enxerguem o KYC como uma etapa burocrática, a realidade é que processos modernos de validação tornam a jornada mais segura e eficiente.

Quando bem implementado, o KYC reduz atritos futuros e aumenta a confiança dos usuários na plataforma.

KYC não é apenas uma obrigação regulatória

A regulamentação brasileira trouxe regras importantes para o mercado de apostas, mas o verdadeiro valor do KYC está na proteção da operação.

Validar a identidade dos usuários desde o início da jornada reduz riscos, fortalece o compliance, dificulta fraudes e contribui para a construção de um ambiente de apostas mais seguro para todos os envolvidos.

Mais do que cumprir uma exigência legal, investir em processos robustos de identificação é uma decisão estratégica para operadores que desejam crescer de forma sustentável e alinhada às melhores práticas do mercado.

Sua operação está preparada para atender às exigências da Portaria SPA/MF nº 1.143/24?

A Legitimuz ajuda operadores a estruturar jornadas completas de validação de identidade, biometria facial, prevenção de fraudes e compliance regulatório, reduzindo riscos e fortalecendo a segurança da operação.

Fale com um especialista e descubra como tornar seu processo de KYC mais seguro, eficiente e aderente às exigências do mercado regulado.

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