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Quais são as 3 técnicas mais comuns para lavagem de dinheiro?

lavagem de dinheiro

Lavagem de dinheiro segue sempre a mesma lógica. Transformar recursos de origem ilícita em algo que parece limpo e legítimo. As técnicas usadas para isso mudam com o tempo, mas três delas aparecem com muito mais frequência nos casos investigados no Brasil.

Neste texto, você entende como funciona o fracionamento de valores, o uso de contas laranja e a mistura de dinheiro ilícito em negócios legítimos. Também entende por que essas três técnicas continuam funcionando e o que dificulta a detecção de cada uma.

  • Fracionamento de valores (smurfing)
  • Uso de contas laranja
  • Mistura com negócios legítimos
  • Por que essas técnicas ainda funcionam
  • Como identificar essas técnicas na prática
  • Perguntas frequentes

Afinal, você sabe as 3 técnicas mais usadas em lavagem de dinheiro?

Confira a seguir as formas mais comuns de criminosos tentarem esconder a origem ilícita de dinheiro e de que forma a sua empresa pode ser vítima.

Fracionamento de valores (smurfing)

O fracionamento consiste em dividir um valor alto em vários depósitos ou transações menores. O objetivo é ficar abaixo dos limites que disparam relatórios automáticos de operações suspeitas.

Um criminoso que precisa movimentar R$ 100 mil pode fazer isso em vinte depósitos de R$ 5 mil, espalhados ao longo de dias ou semanas, muitas vezes usando contas diferentes ou pessoas diferentes para realizar cada operação. Cada transação isolada parece comum. Só o padrão agregado revela a intenção.

Essa técnica também é chamada de smurfing, numa referência aos pequenos personagens azuis que trabalham em grupo para completar uma tarefa maior. Bancos e instituições financeiras monitoram justamente esse tipo de padrão, cruzando múltiplas transações pequenas que juntas somam um valor incomum para o perfil do usuário.

Uso de contas laranja

Contas laranja são contas abertas em nome de terceiros, muitas vezes pessoas que emprestam o CPF em troca de uma pequena quantia ou que nem sabem que o próprio nome está sendo usado para esse fim.

O criminoso usa essas contas como intermediárias para receber e repassar dinheiro, criando distância entre a origem ilícita dos recursos e o beneficiário final. Numa cadeia comum, o dinheiro passa por três ou quatro contas laranja diferentes antes de chegar ao destino real, dificultando o rastreamento pela polícia e pelos órgãos de compliance.

O golpe do Pix ajudou a popularizar essa técnica no Brasil. Contas abertas rapidamente, usadas por poucos dias para receber valores de fraudes e golpes, e depois abandonadas antes que o titular real perceba o problema. Plataformas com onboarding fraco, sem verificação robusta de identidade, viram porta de entrada fácil para esse tipo de conta.

Mistura com negócios legítimos

Essa técnica consiste em injetar dinheiro ilícito dentro do faturamento de um negócio real, misturando receita legítima com recursos de origem criminosa até o ponto de não ser mais possível separar um do outro.

Negócios que trabalham majoritariamente com dinheiro em espécie facilitam esse processo, porque é mais difícil auditar o volume real de vendas. Restaurantes, lavanderias, estacionamentos e lojas de conveniência aparecem com frequência em investigações justamente por esse motivo.

No ambiente digital, uma variação dessa técnica aparece em plataformas de apostas e e-commerce. O criminoso usa o negócio como fachada, declarando um volume de transações compatível com uma operação legítima enquanto uma parte relevante desse volume tem origem em recursos ilícitos.

Por que essas técnicas ainda funcionam?

As três técnicas continuam funcionando porque exploram uma limitação comum. A dificuldade de conectar pontos isolados que, sozinhos, parecem normais.

Um depósito de R$ 5 mil não levanta suspeita. Uma conta aberta com documento aparentemente válido também não. Um restaurante que fatura bem tampouco chama atenção. O problema aparece só quando alguém consegue olhar o padrão completo, cruzando várias fontes de dado ao mesmo tempo.

Isso explica por que sistemas de prevenção baseados só em regras fixas, como bloquear qualquer transação acima de um valor específico, têm efeito limitado. Fraudadores ajustam o comportamento pra ficar sempre um passo abaixo do limite conhecido.

Como identificar essas técnicas na prática

Detectar essas três técnicas exige cruzar sinais que, isolados, pareceriam irrelevantes.

Para fracionamento, o sinal está no padrão agregado. Múltiplos depósitos pequenos, feitos em curto intervalo de tempo, que somados ultrapassam o valor que normalmente dispararia uma verificação.

Para contas laranja, o sinal está na análise de identidade e comportamento. Verificação de vivacidade no cadastro impede que uma identidade emprestada ou roubada abra a conta. Análise de dispositivo revela quando várias contas diferentes são abertas ou operadas a partir do mesmo aparelho, um padrão comum em redes de contas laranja controladas por um único operador.

Para mistura com negócios legítimos, o sinal está na comparação entre o volume declarado e o perfil histórico do negócio. Um salto repentino de faturamento, sem explicação de mercado correspondente, costuma acender o primeiro alerta.

Perguntas frequentes

Lavagem de dinheiro sempre envolve essas três técnicas juntas?

Não necessariamente. Um esquema pode usar só uma técnica ou combinar as três em etapas diferentes do processo de lavagem, que costuma seguir as fases de colocação, ocultação e integração.

Empresas pequenas correm mais risco de serem usadas para lavagem?

Negócios com alto volume de transação em espécie ou com processos de verificação fracos tendem a ser mais visados, independentemente do tamanho. O que importa é a facilidade de misturar receita legítima com recursos ilícitos sem levantar suspeita.

Existe alguma lei específica no Brasil sobre esse tema?

Sim. A Lei 9.613/1998 tipifica o crime de lavagem de dinheiro no Brasil e estabelece obrigações de prevenção para diversos setores, incluindo instituições financeiras e operadoras de apostas.

Qual o papel do COAF na identificação dessas técnicas?

O COAF recebe as comunicações de operações suspeitas reportadas por instituições financeiras e outras entidades obrigadas, analisando padrões que possam indicar lavagem de dinheiro e compartilhando essas informações com órgãos de investigação.

Conheça as soluções Legitimuz

Identificar essas técnicas exige cruzar identidade, comportamento e histórico de transação em tempo real. 

O LegitCheck cruza dezenas de bases públicas e privadas para revelar o perfil de risco de cada usuário, enquanto o LegitDevice identifica quando múltiplas contas operam a partir do mesmo dispositivo, um padrão comum em redes de contas laranja.

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