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Quais são as principais fraudes de IA?

fraudes de IA nas eleições: deepfake é o principal

A inteligência artificial mudou a velocidade e a escala da fraude de identidade. O que antes exigia um fraudador habilidoso e horas de trabalho agora acontece em segundos, com ferramentas acessíveis a qualquer pessoa. 

No Brasil, as fraudes com deepfakes e identidades sintéticas cresceram 126% entre 2024 e 2025, segundo o relatório Identity Fraud Report 2025-2026, e o país concentra quase 39% de todos os deepfakes detectados na América Latina. 

Este post reúne os principais tipos de fraude com IA em circulação hoje, incluindo o vetor que mais preocupa em 2026: o uso da tecnologia para manipular a informação nas eleições.

Clonagem de voz: o golpe de poucos segundos de áudio

A clonagem de voz é hoje um dos vetores mais simples de operar. Com apenas três segundos de áudio extraídos de redes sociais, criminosos já conseguem clonar a voz de uma pessoa para aplicar golpes do falso sequestro ou pedidos urgentes de dinheiro via WhatsApp. 

O golpe também mira empresas. Fraudadores simulam a voz de um executivo em ligação para o financeiro, autorizando uma transferência ou aprovando uma exceção de crédito. A defesa técnica passa por biometria de voz e por protocolos de verificação que não dependem apenas do que se ouve na chamada, como confirmação por um segundo canal.

Deepfake de vídeo e ataque de injeção de câmera

O deepfake de vídeo evoluiu de duas formas diferentes, e a diferença importa para quem faz verificação de identidade.

No ataque de apresentação, o fraudador exibe uma foto, um vídeo ou uma máscara para a câmera do dispositivo, tentando enganar o sistema por fora. No ataque de injeção, ele contorna a câmera por completo e insere a mídia sintética direto no fluxo de dados, sem nunca gravar a captura real. 

Controle desenhado só para o primeiro cenário não detecta o segundo, e é exatamente essa lacuna que a maioria dos fraudadores mais sofisticados já explora.

Identidade sintética: quando a pessoa não existe

A identidade sintética combina dados reais de uma pessoa (um CPF válido, por exemplo) com informações fabricadas, criando um perfil que passa por verificações superficiais. 

É um dos vetores de maior impacto financeiro em operações de crédito, porque a perda costuma ser integral: o titular nunca existiu, então não há de quem cobrar.

Fraudes de IA nas eleições

As eleições de 2026 são as primeiras no Brasil a ocorrer sob um arcabouço normativo dedicado à inteligência artificial. 

O Tribunal Superior Eleitoral editou um pacote de 14 resoluções para disciplinar o pleito, mirando três frentes: a IA generativa, os deepfakes e a atuação de influenciadores digitais.

O núcleo da norma está na Resolução TSE nº 23.610/2019, atualizada pela Resolução TSE nº 23.755/2026. Ela não proíbe o uso de IA em campanha, mas exige transparência: todo conteúdo de propaganda criado ou significativamente alterado por IA precisa informar isso de forma explícita.

Já o deepfake propriamente dito, aquele que fabrica falas ou cenas inexistentes de um candidato, é tratado de forma mais dura. A norma proíbe a alteração da fala de concorrentes e veda a publicação de novo conteúdo sintético entre 72 horas antes e 24 horas depois da votação. 

O descumprimento sujeita os responsáveis à remoção imediata do material, multa de R$ 5 mil a R$ 30 mil, e risco de cassação do registro ou mandato. 

O TSE também proibiu algoritmos de recomendação de redes sociais de ranquear ou sugerir uma candidatura, mesmo quando o próprio usuário pede esse tipo de conteúdo. 

A lógica é impedir que o mecanismo de engajamento das plataformas amplifique conteúdo manipulado antes que alguém consiga verificar a origem.

Para empresas e plataformas de conteúdo, o recado é direto: qualquer serviço que hospede ou distribua conteúdo político precisa ter processo para identificar mídia sintética e agir rápido quando notificado, sob pena de responsabilização.

Por que a defesa tradicional não é mais suficiente

Todos esses vetores compartilham uma característica: eles atacam justamente o ponto que a verificação de identidade tradicional dava como certo, a ideia de que ver ou ouvir alguém era prova suficiente. Documento físico, selfie e ligação telefônica deixaram de ser evidência confiável sozinhos.

A resposta não é aumentar a fricção para todo mundo. 

É calibrar o nível de verificação pelo risco real de cada momento: mais rigor na abertura de conta e em eventos sensíveis como aumento de limite, menos fricção em operações rotineiras de baixo risco.

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