Principais empresas alvo de crimes de lavagem de dinheiro
A lavagem de dinheiro precisa de um caminho para transformar recursos ilícitos em dinheiro “limpo”. Esse caminho passa por setores específicos da economia, escolhidos por criminosos justamente por oferecerem grande volume de transações, alta liquidez ou pouca fiscalização. Conhecer esses setores é o primeiro passo para qualquer empresa entender o próprio nível de exposição ao risco.
Neste artigo, você entende quais empresas estão mais expostas a esse tipo de crime e por que a verificação de identidade e o monitoramento contínuo são a principal linha de defesa.
O que caracteriza um setor de risco para lavagem de dinheiro
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) classifica como “pessoas obrigadas” os setores mais suscetíveis a esse tipo de crime, conforme a Lei 9.613/1998. Três características aparecem em comum entre eles: alto volume financeiro, transações que podem envolver dinheiro em espécie e dificuldade de rastrear a origem real dos recursos.
Esses fatores explicam por que alguns setores concentram a maior parte dos casos identificados pelas autoridades brasileiras.
Instituições financeiras: o principal alvo
Bancos, fintechs e corretoras de valores são o alvo mais recorrente da lavagem de dinheiro. Eles concentram o maior volume de transferências do país e funcionam como a porta de entrada mais eficiente para dar aparência lícita a recursos de origem criminosa.
Por isso, o setor financeiro é o mais regulado quando o assunto é prevenção à lavagem de dinheiro. Bancos e fintechs precisam manter processos robustos de KYC no onboarding e monitoramento contínuo de transações, incluindo a checagem de clientes contra listas restritivas e de Pessoas Politicamente Expostas (PEP). Essa vigilância não termina na abertura da conta: ela acompanha o cliente durante toda a relação com a instituição, identificando mudanças de comportamento que sinalizam risco.
Imobiliárias e comércio de luxo: dinheiro vivo disfarçado de patrimônio
Joalherias, negociantes de metais preciosos e imobiliárias também aparecem entre os setores mais visados, segundo o Coaf. Compras de alto valor, muitas vezes em espécie, permitem transformar dinheiro ilícito em um bem de valor estável, como um imóvel ou uma joia, sem levantar suspeita imediata.
Esses setores enfrentam um desafio particular: a transação costuma ser pontual e de alto valor, diferente do fluxo contínuo de um banco. Isso exige processos de due diligence mais aprofundados, com verificação da origem dos recursos antes da conclusão do negócio.
Plataformas de apostas online: um risco real, mas de menor escala
O setor de apostas online também está entre os alvos de lavagem de dinheiro, principalmente através de contas de terceiros usadas para movimentar recursos de origem ilícita. O volume de recursos envolvido costuma ser menor comparado ao sistema financeiro tradicional e ao mercado imobiliário, mas a regulamentação do setor já exige políticas próprias de KYC e AML, incluindo monitoramento de padrões de aposta e comunicação de operações suspeitas ao Coaf.
Como reduzir o risco de lavagem de dinheiro na sua operação
Independente do setor, a defesa contra a lavagem de dinheiro segue os mesmos princípios:
- Verificação de identidade rigorosa no cadastro, cruzando os dados do cliente com bases oficiais.
- Checagem contínua contra listas restritivas e de PEP, e não apenas no momento da abertura da conta.
- Monitoramento de padrões de transação ao longo de toda a vida útil do cliente, para identificar mudanças de comportamento.
- Processos claros de comunicação de operações suspeitas às autoridades competentes.
Empresas que tratam esses quatro pontos como parte de um mesmo fluxo de compliance reduzem o risco de serem usadas, sem saber, como instrumento de lavagem de dinheiro.
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