A tecnologia evoluiu mais rápido do que as leis. E agora? Confira o 3º episódio do The BRIEFcast
A inteligência artificial mudou o ritmo de tudo. O que antes levava dez ou quinze anos para se transformar, hoje muda em dois. E a regulamentação, que já era lenta por natureza, corre atrás desse ritmo sem nunca alcançar de verdade.
Foi esse o ponto de partida do terceiro episódio do The BRIEFcast, em parceria com a Legitimuz.
A jornalista Stephanie Con mediou uma conversa com Mateus Janjão (Head of Sales da Legitimuz), Thomas Hannickel (Diretor de Compliance e DPO da Legitimuz) e Loren Espíndola (External Affairs Manager da Philip Morris Brasil) sobre como equilibrar inovação, privacidade, segurança e regulamentação num cenário onde a tecnologia não espera a lei ficar pronta.
Confira o episódio na íntegra aqui:
O Brasil olha para fora, mas não copia
Um dos pontos mais interessantes do episódio é como o Brasil tem se posicionado diante de outros mercados.
O país busca referências em legislações internacionais de verificação de identidade e proteção de menores, mas não faz cópia direta. A ANPD e o Ministério da Justiça vêm adaptando essas boas práticas para um contexto regulatório que faça sentido para a realidade brasileira, sem travar a inovação nem abrir mão da proteção.
Inteligência artificial como aliada, não como ameaça
A conversa também trouxe um contraponto importante ao discurso comum sobre IA: sim, os fraudadores usam inteligência artificial para criar ataques mais sofisticados, mas as empresas também usam a mesma tecnologia para se defender. Times de Red Team testam os sistemas o tempo todo, simulando fraudes para encontrar falhas antes que um criminoso encontre.
Do lado da verificação de idade, a IA permite aferir se um usuário é maior ou menor de idade sem coletar dados sensíveis em excesso.
É o princípio de privacy by design e security by design na prática: identificar só o que precisa ser identificado, descartar o dado logo depois e manter a segurança sem transformar isso em burocracia para o usuário legítimo.
Um case global: a leitura facial no varejo da Áustria
Loren trouxe um exemplo concreto de como a tecnologia pode dialogar com o regulador em vez de apenas cumprir uma exigência. Na Áustria, a Philip Morris desenvolveu, junto com a agência reguladora local, uma tecnologia de leitura facial vinculada ao caixa do varejista para confirmar a maioridade na compra de produtos com nicotina.
O objetivo não era só vender com segurança, mas mostrar ao regulador que a tecnologia funciona e pode ser uma aliada real na prevenção do consumo por menores.
Regular demais ou de menos gera o mesmo problema
Outro ponto que merece atenção: excesso de regulamentação e ausência de regulamentação levam ao mesmo lugar, o mercado ilegal.
O episódio usa o exemplo dos vapes no Brasil, proibidos e, por isso, vendidos sem controle algum de idade, ao contrário do que acontece em mercados regulados, onde a verificação é parte do processo de venda.
Regular bem não é regular pouco nem regular muito, é regular com inteligência.
Responsabilidade compartilhada, não terceirizada
Empresas, governo, sociedade e famílias aparecem no episódio como partes de uma mesma cadeia. Nenhum ator resolve isso sozinho.
As empresas têm o papel de adotar mecanismos reais de proteção, o governo de construir uma regulamentação que acompanhe a evolução da tecnologia, e a sociedade de participar do debate antes que a lei precise ser corrigida depois de pronta.
Assista ao episódio completo
O episódio traz ainda mais exemplos internacionais, a visão sobre o horizonte de cinco anos da identidade digital no Brasil e detalhes sobre como a Legitimuz trabalha essa verificação em camadas no dia a dia.
Vale assistir na íntegra.
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