2 meses para as eleições: como se proteger de fraudes e crimes eleitorais
O primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 acontece em 4 de outubro, com segundo turno marcado para 25 de outubro, se houver necessidade. É comum se questionar sobre quais são os crimes eleitorais e como evitar ser vítima de fake news, por exemplo.
Mais de 155 milhões de eleitores vão às urnas para escolher presidente, governadores, senadores e deputados. A propaganda eleitoral já começou em 16 de agosto, e com ela, também começa o período de maior risco de golpes que usam o clima eleitoral como isca.
Esse não é um problema só de quem trabalha com política. É um problema de qualquer pessoa com celular e WhatsApp.
O que mudou nas regras contra deepfake em 2026
O TSE aprovou um pacote de resoluções específico para este pleito, com foco direto em inteligência artificial. A Resolução TSE nº 23.610/2019, atualizada pela Resolução nº 23.755/2026, proíbe o uso de deepfake para favorecer ou prejudicar qualquer candidatura, mesmo quando o conteúdo é produzido com autorização das pessoas envolvidas.
Uma das novidades mais relevantes é a chamada janela de silêncio: entre 72 horas antes e 24 horas depois da votação, fica proibida a publicação de qualquer novo conteúdo sintético envolvendo candidatos ou pessoas públicas.
A regra existe justamente para evitar a “bomba de última hora”, um vídeo falso divulgado horas antes da votação, tarde demais para qualquer desmentido chegar a tempo.
O TSE também formalizou cooperação técnica com plataformas como Meta, Google, TikTok, X, Telegram, LinkedIn e empresas de IA, incluindo OpenAI, ElevenLabs e Anthropic, para monitorar deepfakes e agilizar a remoção de conteúdo irregular durante o período eleitoral.
Por que o deepfake eleitoral engana mais do que parece
Em entrevista à VEJA+, Thomas Hannickel, Diretor de Compliance e DPO da Legitimuz, apontou um ponto pouco discutido sobre esse tipo de fraude: o maior risco de um deepfake eleitoral não é o eleitor acreditar em algo falso.
É o eleitor deixar de acreditar em uma propaganda genuína, só porque a possibilidade de manipulação já corroeu a confiança geral no que circula na internet.
Esse efeito é mais difícil de conter do que o próprio conteúdo falso. Um vídeo manipulado pode ser identificado e removido. A desconfiança que ele espalha continua ativa, mesmo depois que o conteúdo específico sai do ar. (assista à entrevista completa)
Sinais de golpe para ficar de olho no período eleitoral
Fraudadores aproveitam o volume de conteúdo político para aplicar golpes que não têm nada a ver com voto, mas usam o tema como disfarce:
- Mensagens de WhatsApp com “pesquisas eleitorais” ou “urnas simuladas” pedindo dados pessoais ou clique em link, um padrão clássico de phishing.
- Vídeos ou áudios de candidatos fazendo declarações chocantes, projetados para viralizar antes de qualquer checagem, exatamente o tipo de conteúdo que a janela de silêncio tenta conter no fim da campanha.
- Ligações ou mensagens urgentes pedindo Pix, alegando doação de campanha, “confirmação de cadastro eleitoral” ou qualquer pretexto que crie pressa para a vítima agir sem pensar.
- Perfis falsos de candidatos ou de veículos de imprensa, criados para divulgar informação falsa com aparência de fonte oficial.
Como se proteger
- Desconfie por padrão de conteúdo político emocional antes de compartilhar, principalmente vídeos e áudios que parecem “vazamentos” ou declarações bombásticas.
- Busque a origem da informação em veículos de imprensa estabelecidos ou nos canais oficiais do TSE, antes de repassar qualquer conteúdo.
- Desconfie de qualquer pedido de dinheiro urgente, seja para campanha, doação ou “regularização” de qualquer cadastro eleitoral. O TSE não solicita Pix.
- Verifique se o conteúdo está identificado como gerado por IA. A resolução do TSE exige que propaganda criada ou alterada por IA informe isso de forma explícita.
O período eleitoral é uma janela curta, mas concentrada, para esse tipo de golpe. Manter um pouco mais de ceticismo com o que circula nas próximas semanas custa pouco, e evita bastante dor de cabeça.
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Se você notar um conteúdo suspeito ligado às eleições, o canal oficial de denúncia é o portal do TSE.