Tipos mais comuns de fraudes no varejo e no e-commerce
As fraudes no varejo e no e-commerce mais comuns são o uso de cartões clonados, o chargeback fraudulento, a tomada de contas, a criação de cadastros falsos para abusar de promoções, a fraude em devoluções, a abertura de crediário com identidade de terceiros, os sites falsos que imitam lojas reais e os golpes em marketplaces. Na maior parte delas, o ponto de partida é o mesmo: alguém se passando por outra pessoa. Por isso, a verificação de identidade virou uma das principais defesas do varejo.
Neste guia, você conhece cada tipo de fraude, entende como ela funciona e vê quais sinais ajudam a identificá-la antes do prejuízo.
Por que o varejo é um alvo tão frequente de fraudes
O varejo reúne tudo o que um fraudador procura: alto volume de transações, jornadas rápidas, produtos fáceis de revender e picos de demanda em que a atenção das equipes fica dividida.
Datas como Black Friday, Natal e Dia das Mães ampliam esse risco. Com mais pedidos entrando ao mesmo tempo, fica mais difícil separar o cliente legítimo do golpista, e as regras de segurança costumam ser afrouxadas para não perder vendas.
Além disso, o varejo oferece cada vez mais serviços financeiros, como crediário, cartão próprio, carteira digital e parcelamento. Cada um deles abre uma nova porta para fraudes de identidade.
Os tipos mais comuns de fraude no varejo e no e-commerce
1. Compra com cartão clonado ou roubado
É a fraude mais conhecida do e-commerce. O golpista usa dados de um cartão obtidos em vazamentos, phishing ou malware para fazer compras online, geralmente de produtos de alto valor e fácil revenda, como eletrônicos.
Quando o titular percebe a compra e contesta, o valor é estornado. Na maior parte dos casos, o prejuízo fica com a loja, que perde o produto e o dinheiro.
Sinais de alerta: pedidos de alto valor em contas novas, endereço de entrega diferente do endereço de cobrança, várias tentativas com cartões diferentes na mesma sessão.
2. Chargeback fraudulento
Também chamado de “fraude amiga”, acontece quando o próprio titular do cartão faz uma compra legítima, recebe o produto e depois contesta a transação, alegando que não reconhece a compra ou que o item não chegou.
Como o comprador é o dono do cartão, esse tipo de fraude é difícil de provar. A defesa depende de evidências que liguem a compra ao titular, como dados do dispositivo, histórico de acesso e confirmação de identidade.
Sinais de alerta: clientes com histórico de contestações, pedidos seguidos de reclamação logo após a entrega.
3. Tomada de conta (account takeover)
O fraudador obtém o login e a senha de um cliente real e passa a usar a conta dele. Com o acesso, ele compra com cartões salvos, usa saldo de cashback ou pontos de fidelidade e altera o endereço de entrega.
Como a conta é antiga e tem bom histórico, as compras costumam passar pelos filtros de risco sem levantar suspeita.
Sinais de alerta: login a partir de dispositivo ou localização nova, troca de e-mail, senha ou endereço seguida de compra imediata.
4. Cadastros falsos para abuso de promoções
Cupons de primeira compra, frete grátis para novos clientes e programas de indicação são alvos frequentes. O fraudador cria dezenas ou centenas de contas falsas, muitas vezes a partir do mesmo aparelho, para acumular benefícios que deveriam ser únicos por cliente.
O prejuízo parece pequeno em cada pedido, mas se multiplica em escala e distorce as métricas de aquisição de clientes.
Sinais de alerta: vários cadastros vindos do mesmo dispositivo ou rede, e-mails com padrões semelhantes, uso de emuladores ou VPN.
5. Fraude em devoluções e reembolsos
O cliente devolve um produto diferente do que comprou, uma embalagem vazia, um item usado ou falsificado, e recebe o reembolso integral. Em outra variação, ele alega que o pedido não chegou para receber o dinheiro de volta e ficar com o produto.
O direito de arrependimento previsto no art. 49 do Código de Defesa do Consumidor garante ao consumidor sete dias para desistir de compras feitas fora do estabelecimento. É um direito legítimo, mas as políticas flexíveis de devolução também são exploradas por golpistas.
Sinais de alerta: clientes com taxa de devolução muito acima da média, devoluções recorrentes de itens de alto valor.
6. Abertura de crediário com identidade de terceiros
Com dados pessoais vazados, o golpista abre um crediário, um cartão da loja ou uma linha de parcelamento em nome de outra pessoa. Ele faz as compras, não paga, e a dívida recai sobre a vítima, que muitas vezes só descobre quando o nome é negativado.
Nessa categoria também entram as identidades sintéticas, que misturam dados reais e inventados para criar um cliente que não existe.
Sinais de alerta: documento com sinais de adulteração, selfie que não corresponde ao documento, o mesmo rosto em cadastros com CPFs diferentes.
7. Sites falsos e phishing com a marca da loja
Os criminosos criam sites que imitam lojas conhecidas, anunciam ofertas irreais em redes sociais e buscadores e ficam com o dinheiro ou os dados de cartão das vítimas. Em outra variação, enviam e-mails e mensagens falsas em nome da loja pedindo atualização de cadastro.
Mesmo sem participação da loja, esse tipo de golpe afeta diretamente a reputação da marca e aumenta os contatos no atendimento.
Sinais de alerta: aumento de reclamações de clientes sobre compras que não aparecem no sistema, domínios parecidos com o da marca.
8. Golpes em marketplaces
Em marketplaces, a fraude pode vir dos dois lados. Vendedores falsos anunciam produtos que nunca serão entregues ou vendem itens falsificados. Compradores falsos usam contas fraudulentas para aplicar golpes em vendedores legítimos.
Quando o cadastro de vendedores não verifica a identidade de forma robusta, o mesmo fraudador volta à plataforma com outro nome depois de ser banido.
Sinais de alerta: vendedores novos com preços muito abaixo do mercado, contas recém-criadas com alto volume de vendas.
9. Triangulação
O fraudador anuncia produtos em uma plataforma com preço atrativo. Quando um comprador real paga, ele compra o mesmo produto em uma loja legítima usando um cartão roubado e manda entregar no endereço do comprador.
O comprador recebe o produto e não percebe nada. A loja legítima arca com o chargeback quando o titular do cartão contesta a compra.
Sinais de alerta: nome no pedido diferente do nome do titular do cartão, pedidos para endereços sem relação com o histórico do cartão.
O que essas fraudes têm em comum
Quase todas as fraudes da lista dependem de uma identidade falsa, roubada ou mal verificada. O fraudador usa o cartão de outra pessoa, entra na conta de outra pessoa, cria cadastros em nome de pessoas que não existem ou abre crédito com o CPF de terceiros.
Isso muda a forma de combater o problema. Regras que olham só para a transação chegam tarde. A proteção mais eficiente começa antes, confirmando quem está do outro lado no cadastro, no login e nos momentos de maior risco.
Como o varejo pode se proteger das fraudes
Uma estratégia eficiente combina várias camadas, aplicadas nos pontos certos da jornada.
Verificação de identidade no cadastro e na concessão de crédito
Documentoscopia e biometria facial com prova de vida confirmam que o cliente existe e é quem diz ser. Essa camada é decisiva para barrar crediário aberto com identidade de terceiros e contas falsas.
Análise de dispositivo
Sinais como aparelho, rede, uso de VPN, emuladores e quantidade de contas no mesmo dispositivo revelam fraudes que os dados cadastrais não mostram. Entenda melhor por que o dispositivo do cliente importa na verificação de identidade.
Autenticação nos momentos de risco
Troca de senha, alteração de endereço, compras de alto valor e resgate de pontos são momentos em que uma nova validação biométrica faz diferença. Essa camada fecha a porta da tomada de contas.
Busca biométrica para identificar contas duplicadas
Comparar cada rosto com toda a base de clientes revela quando a mesma pessoa está por trás de vários cadastros, um padrão comum no abuso de promoções e em redes de fraude.
Fricção proporcional ao risco
Aplicar todas as verificações a todos os clientes derruba a conversão. O ideal é deixar a jornada simples para quem apresenta sinais de baixo risco e reforçar a verificação apenas quando o contexto pede.
Perguntas frequentes sobre fraudes no varejo
Qual é a fraude mais comum no e-commerce?
A compra com cartão clonado ou roubado está entre as mais frequentes, ao lado do chargeback fraudulento e da tomada de contas.
O que é fraude amiga?
É quando o próprio titular do cartão faz uma compra legítima e depois contesta a transação para receber o dinheiro de volta, mantendo o produto.
Como identificar cadastros falsos no e-commerce?
Os principais sinais são vários cadastros vindos do mesmo dispositivo ou rede, uso de VPN ou emuladores e o mesmo rosto em contas com dados diferentes.
Como evitar fraudes no crediário?
Com verificação de identidade na concessão de crédito, combinando documentoscopia, biometria facial com prova de vida e checagem do CPF em bases de risco.
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