Por que levar em conta o dispositivo do cliente no KYC é tão importante: o que dizem os dados brasileiros
Toda demonstração de KYC costuma usar o mesmo celular. É um aparelho topo de linha, com câmera de alta resolução, internet rápida e sistema atualizado. Esse cenário ideal facilita a apresentação, mas está longe do dispositivo do cliente real de um banco, fintech ou varejista brasileiro.
Levar em conta o dispositivo do cliente no KYC muda o resultado do onboarding. Os dados nacionais mostram uma distância grande entre o aparelho da demonstração e o aparelho que está no bolso da maioria. Essa distância define se a verificação aprova um cliente legítimo ou o perde no meio do cadastro.
O celular médio do brasileiro está longe do cenário ideal
Android é maioria absoluta
O Android responde por 75,45% dos smartphones em uso no Brasil, contra 24,54% do iOS, segundo o StatCounter em agosto de 2026. Uma solução de KYC calibrada primeiro para iPhone atende, na prática, a um quarto do mercado.
O universo Android também reúne a maior variedade de aparelhos. São milhares de modelos de fabricantes e faixas de preço diferentes, com câmeras e processadores muito distintos entre si.
Versões antigas do sistema seguem em uso
Cerca de 14% dos aparelhos Android no país ainda rodam Android 11 ou 12, versões lançadas em 2020 e 2021. Essa fatia representa milhões de usuários. Aparelhos dessa geração costumam ter câmeras de menor resolução e processamento mais lento para tarefas como a verificação de vivacidade em tempo real.
A conexão do cliente também é desigual
Conectividade de qualidade para poucos
O Cetic.br criou um indicador de conectividade significativa que cruza custo, velocidade, presença de banda larga fixa e acesso por múltiplos dispositivos. Pela TIC Domicílios 2024, apenas 22% dos brasileiros com 10 anos ou mais têm condições satisfatórias de conexão.
O pacote de dados acaba
A TIC Domicílios 2025 trouxe um dado inédito. Cerca de 64 milhões de brasileiros, ou 39% de quem tem celular, ficaram sem pacote de dados ao menos uma vez em três meses. Entre usuários de planos pré-pagos, a proporção sobe para 52%. O pré-pago é a modalidade de 61% das pessoas das classes D e E que têm celular.
Quando o pacote acaba, o acesso fica restrito. Entre quem passou por isso, 41% só conseguiram usar aplicativos específicos, como os patrocinados pela operadora. Outros 39% perderam acesso a aplicativos que usavam no dia a dia. Um onboarding que exige envio pesado de vídeo não chega ao fim nesse contexto.
O cliente faz tudo pelo celular, inclusive o KYC
A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, feita com a Deloitte, mostra que 78% das 240,8 bilhões de transações bancárias de 2025 aconteceram pelo celular. A alta foi de 11% em um ano. Somando o internet banking, os canais digitais já concentram 83% das operações.
O mesmo movimento aparece no Pix. A TIC Domicílios 2025 aponta que 75% dos usuários de internet usaram o sistema, com 98% na classe A e 60% nas classes D e E. A economia digital cresce justamente entre quem tem o aparelho e a conexão mais limitados.
Esse cliente que movimenta a conta pelo celular também passa pela verificação de identidade pelo celular. Se o processo depende de câmera de alta resolução, conexão estável e sistema recente, parte desse público fica pelo caminho por incompatibilidade técnica, sem qualquer relação com fraude.
O que acontece quando o KYC ignora o dispositivo do cliente
Clientes legítimos reprovados
Um sistema pensado só para o cenário ideal reprova quem tem câmera fraca, rede 3G ou aparelho antigo. O cliente tenta duas ou três vezes, desiste e procura o concorrente. A instituição perde a conversão e paga o custo de aquisição de um cliente que nunca chegou a entrar.
Fraudes sofisticadas seguem passando
A exclusão técnica também não protege a operação. Fraudadores costumam usar aparelhos potentes, emuladores e ferramentas de injeção de imagem para contornar barreiras. O filtro por hardware barra o cliente comum e deixa o ataque sofisticado avançar.
O dispositivo como sinal de risco
Levar em conta o dispositivo tem um segundo lado. O aparelho carrega sinais valiosos de fraude, como emuladores, root, jailbreak, VPN, proxy e várias contas criadas no mesmo celular. Os ataques de câmera virtual mostram bem esse risco.
Um KYC completo usa o dispositivo nas duas frentes. Ele acolhe o cliente real, qualquer que seja o aparelho, e identifica comportamento suspeito antes da aprovação.
Como a Legitimuz resolve isso na prática
A Legitimuz, idtech brasileira de verificação de identidade e prevenção à fraude, construiu o LegitFace para funcionar no dispositivo que o cliente já tem. A tecnologia opera em Android 6 e 7 e em versões antigas do iOS. Também tolera câmeras de baixíssima resolução e mantém desempenho estável em redes 3G.
Acessibilidade na captura
O LegitFace faz a captura automática, sem que o usuário precise apertar botão. As instruções são faladas em português, e o fluxo é compatível com leitores de tela como TalkBack e VoiceOver. A tecnologia também é robusta para rostos atípicos, como vitiligo, albinismo, cicatrizes e paralisia facial.
Segurança certificada
A inclusão vem acompanhada de proteção validada por laboratórios independentes. O LegitFace reúne as certificações iBeta PAD Levels 1 e 2 e BixeLab PAD Levels 1, 2 e 3 contra ataques de apresentação, como fotos, vídeos e máscaras.
O produto também tem a certificação BixeLab IAD, que valida a detecção de ataques de injeção. Nesse tipo de ataque, a imagem entra no aplicativo sem passar pela câmera física. Em produção, esse conjunto sustenta 0% de fraude aprovada, com menos de 1,33% de reprovação de usuários legítimos.
Inteligência de dispositivo
O LegitDevice complementa a verificação com mais de 60 sinais analisados por sessão. Entre eles estão geolocalização, VPN, proxy, Tor, navegadores suspeitos, multicontas e reputação de IP.
O resultado é um KYC que aprova tanto o cliente com o iPhone mais recente quanto o cliente com um Android de sete anos e internet instável, com o mesmo nível de proteção. Para comparar fornecedores com esse olhar, vale conferir os critérios para avaliar verificação de identidade antes de contratar.
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