[Conteúdo gratuito] Os tipos mais comuns de fraude no varejo e e-commerce
O varejo virou um dos alvos favoritos dos fraudadores no Brasil. O setor já concentra cerca de 40% dos ataques digitais registrados no país, à frente até de segmentos como financeiro e tecnologia, e o ticket médio das fraudes bloqueadas subiu 38% em um ano.
Faz sentido: o e-commerce nacional movimenta mais de R$ 235 bilhões por ano, e cada uma dessas transações passa por uma pergunta simples que nem sempre tem resposta fácil: quem está do outro lado da tela?
Neste artigo, você vai entender quais são os tipos de fraude mais comuns no varejo e no e-commerce, e por que bloquear o fraudador sem travar o cliente legítimo virou o principal desafio de segurança do setor.
Fraude de identidade sintética
Na fraude de identidade sintética, o fraudador combina dados reais (um CPF válido, por exemplo) com informações fabricadas, criando uma identidade que não corresponde a nenhuma pessoa real. Essa identidade é usada para abrir contas, solicitar crédito ou fazer compras parceladas sem intenção de pagar.
Esse tipo de fraude é difícil de identificar porque não existe uma “vítima” que perceba o problema e denuncie. O CPF é real, mas a pessoa por trás do cadastro não existe.
Account takeover (ATO)
O account takeover acontece quando o fraudador invade a conta de um cliente legítimo, geralmente usando credenciais vazadas em outros sites. Uma vez dentro da conta, ele altera dados de entrega, resgata pontos de fidelidade ou faz compras usando o cartão salvo do titular.
Como o login é feito com credenciais válidas, sistemas de segurança tradicionais costumam não perceber nada de errado até o cliente reclamar da compra que não reconhece.
Fraude de terceiros com documento roubado
Aqui, o fraudador usa o CPF e o documento de outra pessoa, muitas vezes obtidos em vazamentos de dados, para se cadastrar em uma loja ou marketplace. A diferença para a identidade sintética é que, neste caso, existe uma vítima real, que vai descobrir a fraude quando receber uma cobrança ou negativação indevida.
O facematch, que compara a selfie do usuário com a foto do documento enviado no cadastro, é uma das formas mais eficazes de barrar esse tipo de fraude antes que ela avance.
Fraude de chargeback (estorno indevido)
O chargeback é o mecanismo que permite ao cliente contestar uma cobrança no cartão. Legítimo na maioria dos casos, ele também é usado de forma fraudulenta: o cliente compra o produto, recebe normalmente e depois contesta a cobrança alegando que não reconhece a compra ou que não recebeu o item.
Esse tipo de fraude gera prejuízo duplo para o varejista: perde o produto e ainda paga a taxa de estorno.
Abuso de promoções e cupons
Fraudadores criam múltiplas contas, muitas vezes usando pequenas variações de um mesmo e-mail ou CPFs de terceiros, para acumular cupons de primeira compra, cashback ou benefícios de indicação que deveriam valer uma vez por pessoa.
Individualmente, cada fraude parece pequena. Em escala, o abuso de promoções corrói a margem de campanhas inteiras de aquisição.
Fraude no cadastro de vendedores em marketplaces
Em plataformas de marketplace, o risco não está só do lado do comprador. Vendedores fraudulentos se cadastram usando CNPJs de fachada ou documentos falsificados para vender produtos que nunca serão entregues, ou para lavar dinheiro através de transações simuladas.
Como o vendedor passa a operar dentro da confiança da plataforma, esse tipo de fraude também expõe a marca do marketplace, não só o comprador final.
Bots e ataques automatizados
Card testing, credential stuffing e outros ataques automatizados usam bots para testar em massa números de cartão roubados ou combinações de login e senha vazadas em outros sites, até encontrar uma combinação que funcione.
Esses ataques costumam gerar picos repentinos de tentativas de login ou de checkout, muitas vezes fora do padrão de tráfego normal da loja.
Como o varejo pode se proteger
Nenhum desses tipos de fraude se resolve com uma única barreira. O caminho mais eficaz combina várias camadas: verificação de identidade e facematch no cadastro, liveness para confirmar que existe uma pessoa real por trás da conta, análise de dispositivo e comportamento para detectar padrões automatizados, e monitoramento contínuo ao longo de toda a jornada do cliente, não só no onboarding.
O mesmo rigor que o setor financeiro já aplica há anos em prevenção a fraude está cada vez mais presente no varejo e no e-commerce, à medida que o volume de transações e o valor médio das fraudes seguem crescendo.
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